Por que as pessoas ainda usam VBA?

VBA persiste porque o Excel e o restante do Microsoft Office são as únicas ferramentas programáveis que muitos funcionários realmente têm permissão de usar em ambientes corporativos fortemente bloqueados. Os comentaristas descrevem como “power users” sem formação de desenvolvedor automatizam trabalhos inteiros, prototipam ferramentas de linha de negócio e conectam sistemas com macros, apesar da idade, das peculiaridades e dos riscos de segurança do VBA. O tema mais amplo é a tensão entre políticas restritivas de TI e a necessidade de automação rápida, orientada pelo usuário final, algo que alternativas “modernas” como complementos do Office, Python hospedado na nuvem ou apps web muitas vezes não conseguem igualar em acessibilidade e integração.

Ferramenta Integrada e Onipresente

  • VBA vem incluído no Office (especialmente Excel/Access/Word/Outlook) e não exige instalações extras, aprovações ou infraestrutura.
  • O IDE, o depurador e o construtor de formulários GUI já vêm встроídos e são estáveis; macros podem ser gravadas e depois editadas.
  • Essa experiência de estar “ali mesmo no Excel/Word” é contrastada com add-ins, apps web ou IDEs separados que precisam da participação do TI.

Bloqueio Corporativo e Shadow IT

  • Muitos ambientes são fortemente bloqueados: sem instalação de software, sem linha de comando, sem runtimes modernos, às vezes até USB bloqueado.
  • Nesses lugares, VBA (e às vezes PowerShell) é literalmente o único ambiente programável ao qual os usuários podem ter acesso.
  • Isso impulsiona o “shadow IT”: usuários de negócio constroem sistemas em Excel/Access/VBA porque passar pelo TI oficial é lento, caro ou desdenhoso.

Produtividade, Prototipagem e “Automatizei Meu Trabalho”

  • Há inúmeras histórias de pessoas automatizando dias de trabalho manual e reduzindo-os a minutos usando VBA.
  • Muitas vezes começa como uma macro rápida e cresce até virar uma ferramenta crítica para o negócio (milhares de linhas) usada em relatórios, trading, manufatura, logística etc.
  • Alguns veem esses sistemas como gambiarras perigosas; outros os veem como protótipos vivos valiosos e prova de valor de negócio que o TI poderia depois industrializar.

Linguagem e IDE: Pontos Fortes e Fracos

  • Elogiado: sintaxe simples e acessível; integração estreita com os modelos de objetos do Office; bom depurador; formulários; acesso a COM/Win32; rápido o suficiente.
  • Criticado: semântico, arcaico e cheio de peculiaridades; modularidade fraca; sem recursos modernos (genéricos, lambdas); “On Error Resume Next”; armadilhas de localização; difícil de versionar e testar.

Alternativas e Sucessores

  • PowerShell, Python, JS, Office Scripts, complementos OfficeJS, VSTO, ferramentas de RPA, Jupyter etc. são discutidos.
  • Barreiras: necessidade de instalações, servidores, licenças, execução na nuvem (preocupações com vazamento de dados), integração limitada com o Office, ausência de editor dentro do documento ou distribuição restrita.
  • Opções mais novas (Python in Excel, Office Scripts, OfficeJS) são vistas como promissoras, mas atualmente limitadas demais, presas à nuvem ou difíceis de distribuir.

Preocupações de Segurança

  • Macros há muito tempo são um grande vetor de malware; algumas organizações agora as desativam por completo.
  • Outras não podem, porque muitos fluxos de trabalho dependem delas; as mitigações de segurança são parciais e desiguais.

Dinâmica Organizacional

  • Tema recorrente: TI/segurança otimizados para controle e aversão a risco versus usuários de negócio otimizados para fazer o trabalho andar.
  • VBA persiste porque fica na interseção entre “já instalado”, “poderoso o suficiente” e “não bloqueado”, viabilizando computação do usuário final quando processos formais de TI não conseguem ou não querem.