Mais produto, menos gerentes de produto

Engenheiros, gerentes e PMs de longa data debatem se as equipes de software modernas têm gerentes de produto demais e pouca verdadeira propriedade de produto. Muitos argumentam que o trabalho de PM é essencial — entender usuários, mercado e estratégia —, mas que o papel é frequentemente mal utilizado como gestão de projetos glorificada, manipulação de tickets ou política interna, especialmente em grandes organizações. Um tema recorrente é que a gestão de produto precisa existir, mas funciona melhor quando há poucos PMs, altamente competentes, próximos tanto dos clientes quanto dos engenheiros, e quando mais engenheiros são incentivados a pensar como produto.

Papel dos Gerentes de Produto vs Outros Papéis

  • Confusão contínua entre gestão de “produto” e de “projeto”; muitas organizações as misturam.
  • Alguns veem PM como “gestão de projetos com passos extras” (mercado, cliente, estratégia).
  • Outros fazem uma divisão clara: PM é responsável pelo porquê/o quê, o gerente de projetos pelo quando, e engenharia pelo como/quem.
  • Na prática, muitos PMs acabam obrigados a fazer coordenação de projetos e administração de Jira.

O que Bons PMs Fazem (Segundo a Discussão)

  • Agem como “mini-CEOs”: entendem clientes, mercado e objetivos de negócio; moldam visão e estratégia.
  • Passam bastante tempo com usuários, vendas e suporte; sintetizam feedback em problemas e prioridades claras.
  • Fazem a ponte entre stakeholders e engenheiros, fornecendo contexto, gerenciando trade-offs e protegendo o foco.
  • Têm consciência técnica/de arquitetura suficiente para entender restrições e sequenciar o trabalho de forma inteligente.

Críticas Comuns aos PMs

  • Muitos PMs são vistos como repassadores de tickets, criadores de reuniões ou “trabalhos de m...”, com pouca propriedade real.
  • Orgãos de CPO que constroem impérios levam PMs a serem donos de fatias minúsculas (uma única página, CTR de botões) longe da estratégia.
  • PMs frequentemente microgerenciam o “como” sem entender a complexidade técnica, ou evitam totalmente os usuários.
  • Engenheiros relatam política conduzida por PMs, teatro de status e pressão de cronograma sem direção clara de produto.

Engenheiros como Donos do Produto?

  • Alguns argumentam que as melhores equipes não tinham PMs: engenheiros, junto com stakeholders de negócio, falavam diretamente com os clientes.
  • Contra-argumento: a maioria dos engenheiros é fraca em gestão de produto e de projetos sem incentivos e tempo; o trabalho de PM ainda precisa ser feito por alguém.
  • Padrões de exemplo sem PMs: metas pouco claras, pesquisa de usuários fraca, “panelinhas” internas, funcionalidades superengenheiradas porém desalinhadas.

Relações, Escala e Design Organizacional

  • Há consenso de que “mais PMs ≠ melhor”; as proporções devem minimizar a interferência e maximizar a autonomia.
  • PMs agregam mais valor quando possuem uma área significativa (produto inteiro ou módulo importante), e não telas isoladas.
  • Em startups, muitos acham que os fundadores deveriam fazer o papel de PM até realmente não conseguirem; PMs extras cedo demais viram burocracia.

Técnico vs Não Técnico / Expertise de Domínio

  • Muitos preferem PMs com pelo menos algum entendimento de código ou sistemas, especialmente para produtos técnicos ou domínios regulados.
  • Outros enfatizam expertise de domínio e de usuário (finanças, RH, medicina, varejo) em vez de tecnologia profunda.
  • Os melhores PMs, segundo relatos, combinam empatia pelo usuário, senso de negócio e intuição técnica suficiente para discutir trade-offs.

Incentivos, Política e Cultura

  • Estruturas de incentivo muitas vezes recompensam produção técnica em vez de impacto no usuário, desestimulando engenheiros a fazer trabalho parecido com o de PM.
  • O comportamento do PM é moldado pelos incentivos organizacionais: se a promoção está ligada a apresentações e grandes reuniões, é isso que você terá.
  • Vários observam que a disfunção atribuída aos PMs é frequentemente um problema de liderança e cultura, não inerente ao papel.

Tópicos Paralelos Diversos

  • Tangente breve, mas acalorada, sobre imagens “heróicas” de IA/ações e sua aparência genérica e de baixa qualidade.
  • Reflexões mais amplas sobre “papéis demais” em big tech (PM, scrum master, QA etc.) e o apelo de equipes mais enxutas e horizontais.