Maersk e Hapag-Lloyd vão evitar o Mar Vermelho após aumento de ataques com mísseis e drones

Grandes linhas de navegação como Maersk e Hapag-Lloyd estão desviando do Mar Vermelho após uma série de ataques houthis com mísseis e drones, levantando preocupações sobre a vulnerabilidade de gargalos do comércio global, como o Canal de Suez. Os comentaristas debatem se isso equivale a um bloqueio naval efetivo, o quão facilmente ameaças assimétricas de baixo custo podem interromper o comércio e por que potências regionais como Arábia Saudita e Egito relutaram em intervir. A situação é apresentada como um teste às garantias de segurança lideradas pelos EUA e à determinação ocidental mais ampla, com alguns vendo nisso mais uma rachadura na ordem global atual e outros argumentando que a resposta acabará reforçando as estruturas hegemônicas existentes.

Natureza da Ameaça no Mar Vermelho

  • Vários comentaristas enquadram as ações dos houthis mais como um bloqueio naval do que como pirataria, com o objetivo de estrangular as linhas de abastecimento.
  • O vídeo do embarque de helicóptero e da captura é visto como propaganda altamente eficaz: dramático, aparentemente bem executado e sem derramamento de sangue.
  • Mesmo com ataques de mísseis/drones relativamente poucos e parcialmente mal-sucedidos, a ameaça foi suficiente para interromper significativamente o comércio global, à medida que grandes transportadoras mudam de rota.

Alvo, Risco e Resposta do Setor

  • Os houthis afirmaram publicamente ter como alvo navios ligados a Israel, mas os comentaristas observam:
    • A inteligência parece imperfeita; pelo menos um navio sem ligação israelense teria sido atingido.
    • “Erros acontecem”, então até tráfego teoricamente seguro enfrenta um risco inaceitável.
  • Alguns comparam a situação à pirataria somali anterior, argumentando que uma ação naval coordenada poderia também “resolver a situação”, enquanto outros enfatizam as diferenças políticas e militares.

Política Regional: Egito, Arábia Saudita, Irã

  • Surgem dúvidas sobre por que as marinhas egípcia e saudita não estão intervindo de forma mais visível:
    • A Arábia Saudita está tentando encerrar sua guerra no Iêmen e reparar os laços com o Irã; intervir contra os houthis poderia convidar retaliações contra a infraestrutura petrolífera e prejudicar sua posição no mundo islâmico.
    • A liderança do Egito pode enfrentar pressão interna por parecer alinhada demais com Israel; a inação é vista como um meio-termo politicamente mais seguro.
    • Segundo relatos, ambas as marinhas têm capacidade limitada de defesa aérea/antimísseis de alto nível e prontidão questionável.
  • Os houthis são vistos como astutos ao ligar suas ações ao conflito em Gaza, elevando o custo político para estados de maioria muçulmana se oporem a eles abertamente.
  • O Irã é descrito como usando procuradores (como os houthis) para projetar poder e testar os limites da influência dos EUA sem confronto direto.

Marinha dos EUA, Jogos de Guerra e Vulnerabilidade

  • Debate sobre se grupos de porta-aviões dos EUA assegurariam facilmente a área ou enfrentariam risco sério:
    • Críticos argumentam que águas confinadas e ameaças modernas de saturação (mísseis, drones, drones marítimos) reduzem a sobrevivência de grandes navios e que acidentes navais dos EUA mostram falibilidade.
    • Outros respondem que os navios dos EUA já interceptaram muitos mísseis houthis, são muito mais capazes e melhor mantidos do que, por exemplo, a Moskva da Rússia, e operam em grupos com defesas em camadas.
  • O Millennium Challenge 2002 é discutido:
    • Um grupo o cita como prova de que a doutrina dos EUA pode ser pego de surpresa de forma séria.
    • Outros enfatizam que grandes exercícios existem principalmente para validar conceitos e treinar forças; depois que o lado “vermelho” fez seu ponto, houve roteirização para continuar o treinamento e extrair mais lições (por exemplo, melhor defesa contra pequenas embarcações).
  • Casos históricos (como exercícios pré-Segunda Guerra Mundial em Pearl Harbor) são invocados para argumentar que às vezes os militares ignoram lições inconvenientes e que a complacência pode ser fatal.

Hegemonia dos EUA e Ordem Global

  • Alguns veem a interrupção no Suez/Mar Vermelho como um teste da hegemonia dos EUA, comparável ao momento de Suez da Grã-Bretanha; outros acham o Irã um desafiante primário implausível.
  • Uma visão mais nuançada é que a dominância dos EUA tende mais a se erodir por autoabstenção ou disfunção política do que por derrota direta, embora o poder militar aliado continue substancial.
  • Há forte discordância sobre a ordem liderada pelos EUA:
    • Críticos destacam as intervenções americanas no Oriente Médio, os fluxos de refugiados para a Europa e a dominância tecnológica dos EUA como danos impostos a aliados.
    • Defensores argumentam que muitos aliados prejudicaram suas próprias indústrias de tecnologia e que, apesar dos abusos dos EUA, a ordem atual se correlaciona com níveis historicamente baixos de mortes por conflito; alternativas podem ser piores.
  • A relutância da OTAN em abater drones russos sobre a Romênia é citada como evidência de timidez ocidental, em contraste com a disposição anterior da Turquia de abater um jato russo.

Retórica Econômica e do “Fim da Ordem Mundial”

  • Alguns participantes alertam contra exagerar a disrupção: pausas no transporte marítimo são descritas como temporárias, e histórias alarmistas anteriores (por exemplo, previsões de aumentos permanentes no preço dos grãos após a invasão da Ucrânia) não se concretizaram totalmente, embora outros observem que houve aumentos reais, ainda que temporários, de preços que afetaram países mais pobres.
  • Uma missão multinacional planejada (“Operation Prosperity Guardian”) para combater as ameaças houthis é mencionada como outro sinal de um ambiente de segurança global gradualmente fragmentado, ao lado de outros conflitos em andamento.
  • Há metacomentários sobre uma aparente preferência do público por narrativas apocalípticas (pandemias, inflação, guerra), com alguns achando perturbador o quanto as pessoas extrapolam com entusiasmo as crises para cenários de “fim da ordem mundial”.