Qualidade é difícil de vender em big tech

A qualidade em grandes empresas de tecnologia é vista como cada vez mais difícil de justificar quando crescimento de curto prazo, velocidade de entrega e lock-in importam mais do que a manutenibilidade de longo prazo ou a experiência do usuário. Comentadores relacionam essa “enshittification” do software a incentivos desalinhados, concorrência fraca, métricas ruins para qualidade e práticas de gestão que recompensam lançar rápido em vez de construir sistemas duráveis e bem testados. Alguns argumentam que open source, concorrência mais forte ou culturas orientadas por missão podem conter essa tendência, mas observam que qualidade alta é cara, difícil de medir e muitas vezes só é valorizada quando sua ausência se torna catastrófica.

Natureza de “Qualidade” e Simplicidade

  • Vários argumentam que código de qualidade tende a ser simples/descomplicado, mas observam que muitos domínios têm complexidade irredutível.
  • Faz-se a distinção entre “complexo” (necessário) e “complicado” (gambiarra, camadas, soluções improvisadas).
  • Alguns veem qualidade como modularidade, para que juniores consigam raciocinar sobre partes pequenas; outros dizem que “qualidade” é subjetiva e muito debatida (APIs, arquiteturas, linguagens, testes).

Incentivos, Competição e Enshittification

  • Muitos relacionam a queda da qualidade a monopólios/travamento: uma vez que os usuários estão capturados, o ROI favorece crescimento, anúncios e “moats” em vez de refinamento.
  • Outros enquadram isso como capitalismo geral/pensamento de curto prazo: maximizar receita no curto prazo vence a saúde do produto no longo prazo em quase todo setor.
  • Contraponto: qualidade ruim também existia em sistemas não capitalistas; usuários toleram software barato “bom o bastante”.
  • Alguns veem o open source como a resposta de longo prazo: tornar a infraestrutura uma commodity; o grande dinheiro está nos monopólios de efeito de rede.

Testes, QA e Prática de Engenharia

  • Vários comentários lamentam a eliminação ou o enfraquecimento de QA; os devs “deveriam” testar, mas em geral não testam, e não são incentivados.
  • Esforços de qualidade costumam vir de baixo para cima, de engenheiros que se importam; pressões de cima para baixo só funcionam quando a liderança as prioriza explicitamente e aceita o impacto no cronograma.
  • Testabilidade e refatoração são vistas como caras no começo, mas mais baratas do que catástrofes de dívida técnica e reescritas.

Gestão, Produto e Dinâmicas Organizacionais

  • Gerentes de produto são criticados por falta de profundidade técnica e por disfarçar decisões técnicas como requisitos.
  • Rotação de recursos e “rebranding” para chamar atenção da imprensa são culpados por piorar produtos maduros.
  • Sistemas de desempenho (ciclos curtos de revisão, stack ranking, obsessão por KPIs) recompensam recursos visíveis em vez de qualidade invisível ou trabalho de prevenção.
  • Desenvolvimento orientado por currículo e permanências curtas desincentivam o cuidado de longo prazo.

Medir e Pagar por Qualidade

  • Qualidade é difícil de vender porque é difícil de medir; os benefícios aparecem como custos futuros evitados e redução de churn.
  • As pessoas invocam “dívida técnica” como uma metáfora comunicável; propõem uma “dívida de produto” semelhante.
  • Alguns argumentam que “qualidade é cara”, outros que a falta de qualidade é mais cara ao longo do tempo; o ponto ótimo é “bom o bastante”, não perfeição.

Debate Sobre a Palavra “Enshittification”

  • Um subthread debate o próprio termo: alguns o consideram vívido e preciso; outros o veem como cringe, pouco sério ou vulgar para uso mainstream/acadêmico.
  • Alternativas propostas incluem “platform decay”, “management decay”, “rent seeking” e “platform arson”, com discordância sobre se capturam a intencionalidade e a força emocional.