United Airlines diz à Boeing para parar de construir Max 10 e passar para os Max 9
A United Airlines está a pedir à Boeing que substitua as suas encomendas do ainda não certificado 737 MAX 10 pelo MAX 9, sublinhando tanto os atrasos regulatórios como as opções limitadas das companhias aéreas perante as enormes carteiras de encomendas da Airbus. Os comentadores debatem se esta pressão vai obrigar a Boeing a travar as atualizações incrementais do 737 e a investir numa nova aeronave, criticando também a cultura da empresa, a engenharia financeira e o historial de segurança. Muitos esperam que a Boeing sobreviva devido à sua importância estratégica e à falta de concorrentes nos EUA, mas notam uma crescente desconfiança dos passageiros e o interesse cauteloso das companhias aéreas na Airbus ou em futuros rivais.
Mudança da United: Motivos e Restrições
- A United está a retirar o 737 MAX 10 das suas previsões de entregas principalmente devido a cronogramas de certificação incertos, e não a um julgamento explícito de segurança.
- Está a sinalizar interesse no Airbus A321neo se os “economics work”, mas os comentadores observam que a carteira de encomendas da Airbus é enorme, tornando improváveis as entregas no curto prazo.
- Muitos veem a mudança da United como uma demonstração pública de descontentamento com a Boeing, mas também notam que a United está, na prática, “presa à sua segunda escolha” (MAX 9).
- A American Airlines acabou de encomendar cerca de 85 MAX 10 e converteu 30 encomendas de MAX 8, sugerindo que algumas grandes transportadoras ainda apostam que o MAX 10 será certificado.
MAX 9 vs MAX 10 e Questões Técnicas
- O recente incidente da porta-tampão do MAX 9 é caracterizado por alguns como uma falha de processo/instalação ou de controlo de qualidade, e não como um problema aerodinâmico ou de certificação fundamental.
- A certificação do MAX 10 estaria alegadamente bloqueada por preocupações com o sistema anti-ice do motor, que afetam todas as variantes MAX; os modelos já certificados operam com mitigação enquanto é desenvolvida uma correção.
- Há debate sobre quanta culpa cabe ao software (MCAS), ao treino dos pilotos, às escolhas de documentação e às decisões de gestão.
Gestão, Cultura e MBAs na Boeing
- Muitos argumentam que o declínio de longo prazo da Boeing resulta de uma cultura “orientada por MBA/finanças”, de pensamento de curto prazo, da externalização e da erosão da autoridade de engenharia, frequentemente atribuída (com ou sem razão) à fusão com a McDonnell Douglas.
- Outros contrapõem que culpar os MBAs ou uma fusão de há 30 anos simplifica em demasia; os CEOs recentes incluíram engenheiros, e os problemas de raiz são os incentivos, a cultura e a captura regulatória.
- Vários comentam que, uma vez transformada uma cultura ao longo de décadas, é muito difícil revertê-la; alguns sugerem que só a falência, a nacionalização ou uma cisão radical poderiam fazer um reset.
Debate sobre Recompras de Ações e Capitalismo
- Há um debate intenso sobre se as recompras ao estilo da Boeing são uma devolução normal de capital ou “vulture capitalism” que retira capacidade de longo prazo.
- Um lado: as recompras são eficientes em termos fiscais, os acionistas são os donos da empresa e podem preferir dinheiro; a destruição criativa é uma característica.
- O outro lado: recompras agressivas enquanto se corta I&D/QA e se assume dívida destroem valor e são sintoma de governação quebrada.
Estrutura de Mercado, Concorrência e Papel do Governo
- A Boeing é vista como demasiado importante estrategicamente (civil + defesa) para os EUA a deixarem falir de forma pura; uma reorganização ao abrigo do Chapter 11 é considerada plausível, mas não o Chapter 7.
- A enorme carteira da Airbus e a expansão lenta da capacidade ajudam a manter a Boeing viável apesar dos danos reputacionais.
- A COMAC é referida como um concorrente emergente, mas atualmente limitado; o agravamento das relações EUA-China e o desempenho/economia do C919 limitam, por agora, a sua ameaça global.
- Sugestões de novos concorrentes (reentrada da Lockheed Martin, startups apoiadas pela Y Combinator, Elon Musk) encontram ceticismo devido a barreiras regulatórias, de capital e de ecossistema.
Comportamento dos Passageiros e Perceções de Segurança
- Alguns comentadores agora evitam ativamente aviões Boeing ao reservar, mesmo pagando mais ou alterando rotas; outros dão prioridade ao preço e ao horário e continuam a procurar modelos como o 787 pelo conforto.
- Ferramentas como os filtros de aeronave do Kayak são mencionadas, mas as trocas de aeronave e as restrições das companhias limitam a escolha prática do consumidor.
- Há preocupação de que possa ser necessário outro grande acidente fatal para forçar uma verdadeira responsabilização.
Outros Temas Notados
- Menção ao suicídio reportado do denunciante de um problema de qualidade do 787, com apelos a uma investigação séria.
- Discussões paralelas sobre banners de cookies/consentimento hostis à privacidade e telemática automóvel, e sobre o comboio nos EUA vs. a aviação como política alternativa de transporte.