VW está recolocando botões nos carros

A aposta das montadoras em painéis dominados por telas sensíveis ao toque está esbarrando em uma onda de frustração dos usuários e em preocupações de segurança, com a Volkswagen agora recuando e reintroduzindo botões físicos após reclamações generalizadas sobre seus modelos recentes. Os comentaristas argumentam que controles para funções críticas como climatização, limpadores e aquecedores dos bancos precisam poder ser operados pelo tato e pela memória muscular, e não ficar enterrados em menus ou depender de superfícies capacitivas ou táteis pouco confiáveis. A discussão se amplia para uma crítica às tendências de UI “minimalistas” e orientadas por software em carros e eletrodomésticos, sugerindo que cortes de custo e modismos de design acabaram superando a ergonomia, e que marcas que mantiverem ou restaurarem controles físicos bem projetados podem reconquistar clientes.

Reação geral ao recuo da VW para botões

  • Muitos veem a mudança da VW como uma correção de rumo tardia após controles táteis/capacitivos “desastrosos” nos modelos recentes (ID.4, Golf Mk8, etc.).
  • Vários motoristas dizem que os interiores da VW passaram de “quase perfeitos” (era Mk7) para “inutilizáveis”, levando-os para outras marcas; alguns dizem que essa mudança pode trazê-los de volta.
  • Alguns argumentam que a VW ainda não “entendeu” totalmente se os controles críticos continuarem mal posicionados ou meio escondidos.

Telas sensíveis ao toque vs controles físicos em carros

  • Consenso geral: telas sensíveis ao toque são boas para configuração/informação (navegação, navegação por mídia), não para ações frequentes ou críticas à segurança (limpadores, luzes, desembaçador, HVAC, aquecedores dos bancos).
  • A principal vantagem dos controles físicos: podem ser operados pelo tato e pela memória muscular sem tirar os olhos da estrada.
  • Interfaces touch são comparadas ao uso ilegal de celular ao dirigir: a mesma distração, mas “abençoada” porque vem embutida no carro.

Exemplos de boa e má UX

  • Elogiados:
    • O seletor giratório da Mazda + alguns botões consistentes; controles de HVAC separados e táteis.
    • Layouts antigos da VW com três botões de HVAC e botões integrados de aquecimento dos bancos.
    • Algumas versões da Hyundai/Kia que mantêm botões reais e comandos simples de climatização.
  • Criticados:
    • Os botões capacitivos do volante do VW ID.4, os deslizadores sem iluminação e o seletor de modo do vidro dianteiro/traseiro.
    • Sistemas em que aquecimento dos bancos, climatização ou modos de condução ficam enterrados em menus profundos.
    • A dependência da Tesla da tela para coisas como limpadores; o desempenho do limpador automático foi chamado de “lixo” por alguns, aceitável por outros.

Preocupações com segurança e ergonomia

  • Múltiplos relatos de motoristas que precisaram parar ou gastar segundos vasculhando menus enquanto dirigiam, especialmente para desembaçar ou mudar a climatização.
  • Carros mais antigos com painéis totalmente táteis são citados como mais seguros porque os controles podem ser memorizados espacialmente.
  • Alguns argumentam que, quando a automação (climatização automática, bom controle por voz) funciona bem, a dependência da tela é menos problemática; quando falha, torna-se perigosa.

Por que os fabricantes foram para o excesso de toque

  • Redução de custos é citada repetidamente: menos peças distintas, menos testes de conformidade, BOM mais barato por carro.
  • Telas sensíveis ao toque também reduzem o longo e caro ciclo de design/teste necessário para bons painéis de controles físicos.
  • Alguns culpam tendências estéticas/“minimalistas” e comitês de design que perseguem um visual “limpo” em detrimento da usabilidade.

Crítica mais ampla às interfaces capacitivas/touch

  • Muitos ampliam as reclamações para fogões, fornos, máquinas de lavar/secar, micro-ondas: controles capacitivos falham com água, luvas ou eletricidade estática, e envelhecem mal.
  • Padrão geral: as UIs mais simples com botões/knobs em eletrodomésticos e carros são vistas como mais robustas, intuitivas e duráveis do que designs “inteligentes” ou só com toque.