Thomann toma medidas legais contra a Fender

Contexto da Disputa

  • A Fender usou um caso num tribunal alemão (contra um pequeno vendedor chinês da AliExpress de cópias da Strat) para reivindicar direitos de autor sobre o corpo da Stratocaster (“S-style”) como uma “obra de arte aplicada”.
  • O vendedor não compareceu, então a Fender obteve uma sentença à revelia.
  • Com base nisso, enviaram cartas agressivas de cessação e desistência por toda a Europa (e a alguns fabricantes dos EUA que enviam para a UE), exigindo o fim das vendas de S-style, recolhas e até a destruição de stock.
  • A Thomann, um grande retalhista europeu com a sua própria marca S-style (Harley Benton), está agora a tomar medidas legais contra a Fender.

Questões Jurídicas e de Propriedade Intelectual

  • Nos EUA, os comentadores dizem que o corpo da Strat está, na prática, em domínio público desde uma decisão de 2009 que rejeitou as marcas registadas da Fender sobre a forma do corpo após décadas de não aplicação.
  • Vários assinalam que a lei dos EUA exclui “partes funcionais” de direitos de autor; os desenhos têm proteção limitada no tempo via patentes ou design patents.
  • Os direitos de autor da UE são descritos como mais amplos (por exemplo, “obra de arte aplicada”, direitos sobre bases de dados, “sweat of the brow”).
  • Os comentadores argumentam que muitos aspetos do corpo da Strat são ergonomia funcional, e não ornamento, pelo que não deveriam ser monopolizáveis.
  • Surgem dúvidas sobre se a Fender consegue sequer definir uma única forma protegida, tendo em conta as muitas variantes de Strat da própria Fender, e se ainda possui de facto algum direito remanescente dos anos 1950.
  • Outros sublinham que a lei alemã não trata decisões de tribunais inferiores como precedente vinculativo, pelo que o uso de uma sentença à revelia pela Fender como “precedente global” é visto como excesso ou intimidação.

Motivações Comerciais e Propriedade

  • Os comentadores destacam a longa posse da Fender por private equity, incluindo o controlo maioritário atual pela Servco, e especulam que esta ofensiva de PI é motivada financeiramente.
  • Alguns ligam isto à concorrência da PRS (especialmente a Silver Sky), de construtores boutique e de marcas S-style económicas como a Harley Benton e concorrentes da Squier.
  • Uma visão: a Fender está a perder em qualidade/valor e a tentar “vencer no tribunal em vez de no mercado”.

Reação da Comunidade e Perceção da Marca

  • Muitos guitarristas expressam indignação, prometem evitar futuras compras Fender ou dizem que a medida destruiu décadas de boa vontade.
  • Outros estão irritados com a indignação online, argumentam que o mundo não vai acabar e dizem que os fabricantes podem simplesmente ajustar as formas, como a Ibanez e outros já fazem.
  • A qualidade da Fender é debatida: alguns afirmam uma deterioração séria face aos concorrentes; outros dizem que está melhor do que em décadas anteriores e aproximadamente em linha com o mercado.

Design, Funcionalidade e Conservadorismo no Equipamento

  • Vários comentários defendem que a popularidade da Strat se deve à ergonomia: double cutaways para acesso aos trastes mais altos, contornos do corpo para conforto e colocação dos horns para equilíbrio.
  • Nessa perspetiva, as guitarras S-style são vistas como uma solução quase ótima para a qual muitos construtores convergem naturalmente.
  • Outros argumentam que copiar designs dos anos 1950 é preguiçoso e que os luthiers deveriam adotar formas de corpo mais originais.
  • A persistência das interfaces de guitarra e amplificadores dos anos 1950 (jacks de 1/4", áudio analógico) é contrastada com padrões digitais que mudam rapidamente, apresentada como prova tanto de conservadorismo como de engenharia “quase ótima” inicial.