Se programar foi resolvido, por que o software continua ficando pior?
Muitos desenvolvedores e usuários sentem que o software do dia a dia está ficando mais bugado, mais lento e mais hostil às necessidades do usuário, mesmo com ferramentas como a programação assistida por IA supostamente tornando “programar um problema resolvido”. Os comentaristas atribuem esse declínio, em grande parte, não à IA em si, mas a incentivos de negócios desalinhados, culturas de produto que recompensam a troca constante de funcionalidades em vez da qualidade e uma complexidade cada vez maior construída sobre bases frágeis. Alguns apontam o software de código aberto e sistemas cuidadosamente projetados como contraexemplos, argumentando que melhorias reais exigem valorizar robustez, UX e manutenção de longo prazo em vez de velocidade e hype de curto prazo.
Escopo do Problema: O Software Está Realmente Ficando Pior?
- Muitos comentaristas se identificam com “nada funciona”: sites bancários com bugs, infotainment de carros, apps móveis, atualizações de SO que os usuários agora temem.
- Outros argumentam que isso é principalmente um viés de visibilidade e nostalgia: software e plataformas são muito mais complexos, então pequenos bugs são mais frequentes, enquanto travamentos catastróficos são mais raros.
- Alguns dizem que as falhas mudaram: menos travamentos duros, muito mais “cortes de papel” e incômodos de UX.
IA, “Programar Foi Resolvido” e Qualidade
- Há forte rejeição à ideia de que “programar foi resolvido”: LLMs ajudam a escrever trechos, mas não entendem sistemas grandes, trade-offs ou arquitetura.
- Vários veem a IA como um multiplicador de força: bons engenheiros ficam um pouco mais rápidos; engenheiros fracos produzem muito mais “slop” de baixa qualidade muito mais depressa.
- Outros dizem que a gerência ouve “programar foi resolvido” como “podemos lançar mais rápido com menos pessoas”, não “podemos construir software melhor”.
Incentivos, Gestão e Cultura de Produto
- Tema recorrente: os incentivos favorecem lançar funcionalidades em vez de qualidade, robustez ou UX.
- A cultura de Agile/MVP e donos de produto não técnicos são culpados por builds “só do caminho feliz”, que acumulam bugs e dívida técnica.
- Alguns descrevem grandes organizações onde ninguém realmente assume a responsabilidade pelos resultados, equipes fazem remendos em arquiteturas ruins, e o sucesso é medido por slideware e gráficos de burndown, não por software funcionando.
- Visão de que as empresas otimizam para acionistas e métricas de curto prazo; enquanto os usuários não abandonarem o produto, há pouco incentivo para investir em qualidade ou suporte.
Regressões de UX e Enshittification
- Roubo de foco (por exemplo, apps de chat trazendo a janela para frente e capturando teclas) é um grande ponto de irritação; alguns observam que Linux/KDE tem prevenção de roubo de foco ajustável, outros dizem que os principais SOs ignoram isso.
- Reclamações sobre pop-ups intrusivos, dark patterns, lembretes de IA, mensagens de erro fofas mas inúteis e mudanças constantes na interface (por exemplo, redesenhos de SO móvel).
- UX de segurança (por exemplo, logins repetidos, fluxos de 3-D Secure) é vista como um excesso de correção e hostil ao usuário, embora alguns argumentem que é melhor do que a insegurança do passado.
FOSS, Plataformas e Alternativas
- Muitos defendem Linux/FOSS (especialmente KDE, NixOS etc.) como refúgios relativamente estáveis e respeitosos com o usuário, embora outros relatem bastante bugs e arestas também ali.
- Jogos e certo hardware de consumo (por exemplo, novas GPUs) continuam sendo bloqueadores práticos para alguns que tentam abandonar Windows/macOS.
Causas Mais Profundas e Perspectivas
- Os comentários apontam para o crescimento exponencial de desenvolvedores medianos, pilhas profundas de dependências e arquiteturas “torre de Babel” construídas sobre bibliotecas pouco compreendidas.
- Vários argumentam que o software só melhorará se os incentivos de mercado mudarem ou se algumas empresas conseguirem se diferenciar por qualidade, UX ou suporte — e forem visivelmente recompensadas por isso.