Primeira usina de pequeno reator nuclear planejada nos EUA foi cancelada
O cancelamento do projeto flagship de reator modular pequeno da NuScale em Idaho intensificou o escrutínio sobre a economia da energia nuclear, com custos projetados subindo para algo entre três e cinco vezes o da nova solar em algumas estimativas. Comentadores debatem se reatores de próxima geração podem algum dia competir com renováveis cada vez mais baratas somadas a armazenamento, observando custos de financiamento, carga regulatória e a ausência de uma curva de aprendizado nuclear clara após décadas de subsídios. Outros argumentam que ainda é preciso energia despachável de baixo carbono junto com eólica e solar, mas muitos veem baterias, hidrogênio e expansão da rede como complementos mais promissores do que projetos SMR não comprovados.
Economia dos SMRs e da Energia Nuclear
- O projeto NuScale cancelado é visto como evidência de que os SMRs atuais não são competitivos em custo: os custos projetados subiram de cerca de US$5,3 bi para US$9,3 bi para 6×77 MW, com custos nivelados precisando de um corte de ~55% apenas para chegar a cerca de US$89/MWh, ainda acima do preço de mercado.
- Vários comentaristas argumentam que mesmo essa meta é 3–5 vezes os custos típicos da solar, e que a energia nuclear em geral tem OPEX alto (pessoal, ciclo do combustível, descomissionamento) além de CAPEX alto.
- Outros observam que os SMRs são os primeiros de sua espécie; a repetição em fábrica poderia reduzir custos, mas isso exigiria um volume inicial enorme e subsídios de longo prazo, sem garantia de alcançar as renováveis.
- Alguns apontam os reatores navais como prova de que pequenos reatores podem ser industrializados, mas admitem que a economia militar e as escolhas de combustível não são diretamente transferíveis.
Renováveis, Armazenamento e Confiabilidade da Rede
- Muitos argumentam que solar e eólica, junto com usinas a gás existentes, já formam um caminho mais barato e prático para uma “descarbonização de 90%”, com o gás usado como reserva de rápida resposta.
- Opções de armazenamento discutidas: íons de lítio (cada vez mais viáveis), baterias de ferro-ar, hidrelétrica reversível, hidrogênio, e-combustíveis, conceitos gravitacionais. Consenso: a hidrelétrica reversível é comprovada; a maioria das outras está em estágio inicial ou é de nicho, mas está melhorando.
- Críticos dizem que os baixos preços das renováveis muitas vezes ignoram o custo do backup firme; apoiadores respondem que armazenamento e resposta da demanda estão avançando e que a energia descartada pode ser usada para produzir combustíveis (H₂, hidrocarbonetos sintéticos).
Transmissão e Uso do Solo
- Transmissão de alta tensão em corrente contínua de longa distância é tecnicamente viável com perdas modestas (~3%/1000 km) e já é usada em lugares como China e Brasil, mas é cara e politicamente difícil de construir.
- Preocupações com uso do solo para solar/eólica são debatidas: alguns citam alta área/MW, outros respondem que terras disponíveis e telhados são abundantes e podem ter uso duplo (agrivoltaica, pastagem, coberturas de estacionamentos).
Por que Grandes Projetos (Especialmente Nucleares) São Difíceis de Construir
- Temas recorrentes: regulação complexa, cultura de segurança, engenharia específica do local, litígios e, agora, juros altos, tudo isso provoca atrasos e estouros de custo.
- Faz-se comparação com solar e eólica, muito mais baratas e rapidamente implantadas, e com outros megaprojetos (transporte, infraestrutura) que também estouram orçamento.
Subsídios, Externalidades e Quem Paga
- A energia nuclear historicamente se beneficiou de enorme apoio estatal (especialmente por meio de programas militares) e ainda depende de subsídios, limites de responsabilidade e do manejo público de resíduos de longo prazo e descomissionamento.
- Renováveis e combustíveis fósseis também são fortemente subsidiados de várias maneiras. Persiste o desacordo sobre qual tecnologia é “mais subsidiada” e como contabilizar poluição e danos climáticos.
Segurança, Risco, Regulação e Percepção Pública
- Um lado enfatiza o número muito baixo de mortes da energia nuclear por unidade de energia e argumenta que a regulação é excessivamente rígida em comparação com os combustíveis fósseis, muito mais letais.
- O outro lado destaca acidentes nucleares de “cisne negro”, resíduos de longa duração e falhas passadas de gestão, e vê a supervisão rígida e os altos custos como uma compensação apropriada.
- Vários comentaristas acham que o ambientalismo antinuclear historicamente aumentou o uso de fósseis; outros respondem que, hoje, o principal problema da nuclear é simplesmente a economia frente às renováveis cada vez mais baratas.