Toda a gente está a ser deixada no vácuo, a nova normalidade no recrutamento em tecnologia
O ghosting no recrutamento em tecnologia — especialmente após entrevistas ou testes para casa — tornou-se tão comum que muitos o veem como uma norma enraizada, e não como uma exceção. Os comentaristas argumentam que, embora rejeitar candidatos seja inevitável, deixar de enviar sequer um breve “não” automático é pouco profissional, sinaliza uma má cultura de empresa e pode acabar por prejudicar a reputação dos empregadores. As explicações vão desde recrutadores sobrecarregados ou com poucos incentivos até uma dessensibilização cultural mais ampla, com alguns a pedir que se exponham e envergonhem os reincidentes e outros a aconselhar os candidatos a endurecerem, fazerem follow-up proativamente e não levarem o silêncio para o lado pessoal.
O que “ghosting” significa aqui
- Os comentaristas enfatizam: ghosting não é ignorar uma candidatura inicial.
- É quando já existe uma interação estabelecida (triagem telefónica, entrevistas, teste para casa, viagem, “próximas etapas” explícitas) e depois silêncio, apesar das expectativas de seguimento.
Prevalência e debate sobre a “nova normalidade”
- Muitos dizem que o ghosting após entrevistas tem sido comum há décadas e em vários setores, não apenas em tecnologia.
- Outros observam um aumento recente, especialmente no setor tecnológico dos EUA após despedimentos e um mercado mais “favorável ao empregador”.
- Alguns comentaristas de fora dos EUA relatam que isso tem sido o padrão há anos nos seus países.
Razões apresentadas para o ghosting
- “Sem largura de banda” devido a enormes volumes de candidatos e recrutamento com poucos recursos; fundadores e gestores despriorizam a comunicação.
- Incentivos: os recrutadores são pagos por contratações, não por fechar o ciclo; os engenheiros recebem pouco crédito por entrevistas cuidadosas.
- Estratégia de reserva: candidatos em segundo lugar são mantidos “aquecidos” enquanto o favorito decide; depois são simplesmente esquecidos.
- Cautela legal/de RP: as empresas evitam feedback específico para limitar responsabilidade ou discussões.
- Má gestão de tarefas e incompetência geral também são citadas.
Porque é que as pessoas veem isto como pouco profissional e prejudicial
- Muitos chamam-lhe indecente, desrespeitoso e um sinal negativo claro sobre a cultura e a comunicação de uma empresa.
- Um rejeição automática trivial via ATS é vista como o mínimo indispensável.
- A falta de encerramento cria ansiedade e complica o planeamento de vida; alguns relatam perda de motivação em projetos paralelos.
- O ghosting prejudica a marca empregadora; as pessoas lembram-se e evitam essas empresas mais tarde, e alguns defendem “expor publicamente”.
Feedback vs. simples “não”
- Vários observam que a maior parte do feedback de rejeição é vago (“outro candidato era mais forte”, “encaixe cultural”) e pouco útil.
- Feedback específico e acionável existe apenas numa minoria dos casos; alguns recrutadores dizem que os candidatos muitas vezes discutem com ele.
- Muitos candidatos dizem que ainda prefeririam até um “não” genérico a silêncio.
Respostas e estratégias de coping
- Conselho aos candidatos: fazer follow-up, telefonar aos recrutadores, não esperar passivamente e não levar o silêncio para o lado pessoal.
- Alguns admitem também deixar empregadores no vácuo, especialmente quando perdem interesse ou aceitam outra oferta.
- Alguns defendem acompanhar publicamente as empresas que fazem ghosting; outros receiam retaliação ou perder oportunidades.