A Big Tech já ganhou dinheiro suficiente em 2024 para pagar todas as suas multas de 2023
As multas impostas a grandes empresas de tecnologia por violações de privacidade, antitruste e outras infrações são tão pequenas em relação às suas receitas e lucros que muitos as veem apenas como custo de fazer negócios, e não como uma verdadeira dissuasão. Comentadores debatem como as penalidades deveriam ser estruturadas — por exemplo, como uma porcentagem da receita, com escalonamento para reincidência, suspensões temporárias de operação ou até responsabilidade criminal e pessoal para executivos — e se os acionistas jamais deveriam arcar diretamente com o prejuízo. Outros questionam a própria formulação do problema, argumentando que focar na receita em vez do lucro é enganoso e que alguns reguladores podem estar praticando rent-seeking em vez de proteger de fato consumidores ou mercados.
Adequação e Propósito das Multas
- Muitos argumentam que as multas atuais são pequenas demais para a Big Tech e funcionam como “custo de fazer negócios”, não como dissuasão.
- Alguns veem as multas como voltadas à dissuasão; outros suspeitam que muitas vezes elas atuam como sinalização política ou rent-seeking de baixo nível por parte dos governos.
- Há preocupação de que violações repetidas (por exemplo, privacidade, antitruste) mostrem que as multas não estão mudando o comportamento.
Em que Basear as Penalidades: Receita, Lucro ou Tempo
- Há forte apoio para basear as multas na receita, e não no lucro, porque o lucro é facilmente manipulado por meio de contabilidade, preços de transferência e reinvestimento.
- Críticos contrapõem que usar receita para falar sobre “quão rápido as multas são pagas” confunde receita com lucro e mostra pouca literacia financeira.
- Um comentarista recalcula usando o lucro líquido, mostrando que as multas ainda equivalem apenas a dias ou semanas de lucro.
- Propostas:
- Multas maiores, possivelmente exponenciais, para reincidência.
- Multas como uma porcentagem fixa do faturamento (global ou regional).
- Penalidades “baseadas em tempo”: suspensões temporárias do funcionamento equivalentes a alguma fração da receita anual, análogas ao tempo de prisão para indivíduos.
Quem Deve Arcar com o Custo: Acionistas, Gestão, Trabalhadores
- Debate sobre multar diretamente os acionistas (por exemplo, dividendos reversos, responsabilidades por ação no momento da venda):
- Os defensores dizem que os acionistas são os que mais ganham; eles deveriam perder quando as empresas agem ilegalmente.
- Os oponentes dizem que isso, na prática, aboliria a responsabilidade limitada, arruinaria os mercados de ações e puniria poupadores de pensão desinformados.
- Muitos preferem mirar executivos e diretores pessoalmente (responsabilidade civil e criminal, “experiência de oligarca”, possível tempo de prisão), argumentando que eles sabiam ou eram negligentemente ignorantes.
- Há preocupação de que multas corporativas massivas acabem prejudicando trabalhadores comuns e consumidores por meio de demissões ou preços mais altos.
Corporações, Responsabilidade Limitada e Justiça
- Um lado chama a forma corporativa de fundamentalmente injusta, um “escudo de responsabilidade” que permite crimes em grande escala, com baixa responsabilização, e captura política.
- Outros argumentam que corporações e responsabilidade limitada são essenciais para a prosperidade moderna e a coordenação em larga escala; o problema é a fiscalização e a tributação fracas, não o conceito básico.
- Há discussão sobre os altos impostos marginais e sobre patrimônio historicamente, em contraste com as alíquotas efetivas mais baixas de hoje e seu papel na desigualdade.
Fiscalização, Jurisdição e Rent-Seeking
- Alguns veem as multas da UE e de outras jurisdições fora dos EUA como checagens necessárias contra comportamento monopolista e violações de privacidade.
- Outros veem muitas multas estrangeiras (por exemplo, sobre empacotamento do Android ou banners de cookies) como arbitrárias ou extorsivas, especialmente onde as empresas têm pouca presença local.
- A fiscalização insuficiente é destacada: há penalidades teóricas altas no estilo do GDPR, mas as violações são vistas como generalizadas, e a capacidade real de aplicação é limitada.
- Foi levantado o ponto de que a receita das multas pode e deve ajudar a financiar a fiscalização, mas muitas vezes vai para orçamentos gerais.
Alternativas e Ideias Estruturais
- As sugestões incluem: nacionalizar empresas que não consigam pagar; invalidar patentes como punição; dobrar multas para violações repetidas; vincular penalidades a receitas ilegais específicas (embora isso seja visto como difícil de quantificar).
- Alguns preferem restaurar um “mercado de apps” mais competitivo, reduzindo o poder dos guardiões de acesso em vez de depender apenas de grandes multas.
Críticas ao Artigo e à Formulação
- Vários comentaristas criticam o foco do artigo em dias de receita por ser enganoso e “caça-cliques”, e observam seu alinhamento com os interesses de marketing de uma empresa de privacidade/VPN.
- Outros respondem que, apesar da formulação imperfeita, o ponto central permanece: em relação à escala da Big Tech, as multas atuais são pequenas demais para causar efeito.