Editores e publicadores de periódicos científicos dizem estar recebendo subornos
Editores de periódicos científicos estão sendo cada vez mais abordados com ofertas de suborno, muitas vezes por paper mills que buscam colocar trabalhos de baixa qualidade ou fraudulentos em periódicos de acesso aberto e marginais. Os comentaristas debatem se esses pagamentos são ilegais ou apenas antiéticos e relacionam o problema a incentivos sistêmicos como o “publish or perish”, contratações e financiamento orientados por métricas, e a expansão da academia. As soluções propostas vão de sanções mais duras e melhor detecção de fraude a uma reavaliação radical da publicação científica, incluindo plataformas abertas, revisão por pares paga e menor ênfase em contagens brutas de publicações.
Prevalência e Natureza do Suborno
- Vários comentaristas dizem que as ofertas de suborno (muitas vezes por meio de “edições especiais”) são frequentes e avassaladoras; outros, em funções editoriais sênior, relatam nunca ter encontrado subornos explícitos e veem as alegações de “todo editor” como hipérbole.
- É feita uma distinção entre as taxas normais de processamento de artigos (APCs) pagas aos periódicos e os pagamentos por fora a editores individuais.
Status Legal vs. Ético
- Há debate sobre se subornos comerciais a editores são ilegais:
- Um lado afirma que as leis anticorrupção normalmente miram funcionários públicos e deveres legais, portanto editores de periódicos não estariam cobertos.
- Outros contrapõem que muitas jurisdições proíbem propinas comerciais; mesmo quando isso não está explícito, estatutos de fraude poderiam se aplicar.
- Consenso geral: antiético de qualquer forma; a legalidade varia e é difícil de provar.
Incentivos, Cientometria e “Publish or Perish”
- Há forte concordância de que carreiras orientadas por métricas (h-index, fatores de impacto, contagem de publicações) criam demanda por publicação de baixa qualidade e corrupta.
- A superprodução de PhDs e a pressão na carreira empurram alguns para paper mills e para manipular métricas.
- Alguns argumentam que isso é “capitalismo” e outros dizem que é mais uma questão de natureza humana, incentivos institucionais e captura regulatória.
Impacto e Dano
- Uma visão: a maior parte da corrupção se concentra em periódicos “lixo” de baixa qualidade, amplamente ignorados por pesquisadores sérios, de modo que o dano à ciência de fato é limitado.
- Visão oposta: esses artigos ajudam fraudadores a subir na hierarquia acadêmica, desviam financiamento e enganam administradores, formuladores de políticas e o público.
- Há preocupação de que escândalos forneçam munição para quem tenta desacreditar a ciência como um todo.
Confiança, Escala e Politização
- Vários comentários conectam isso a uma erosão mais ampla da confiança em “A Ciência”, aos perigos tanto da confiança cega quanto da desconfiança cega, e à dificuldade de não especialistas julgarem expertise.
- Reputação e julgamento entre pares ainda importam, mas a reputação em si pode ser manipulada e não escala bem.
Periódicos Tradicionais, Acesso Aberto e Incentivos dos Editores
- Há suspeita de que periódicos legados usem esses escândalos para manchar o acesso aberto enquanto defendem modelos de negócios com paywall.
- Alguns argumentam que a publicação acadêmica como indústria é amplamente “podre”, extraindo renda de pesquisas financiadas com recursos públicos.
Correções e Alternativas Propostas
- As respostas sugeridas incluem: punições mais severas (até o fechamento de laboratórios/departamentos), exposição pública dos envolvidos, pagamento a revisores, melhor investigação de má conduta e redução da dependência de métricas grosseiras.
- Ideias para mudança estrutural:
- Plataformas abertas, no estilo GitHub, para dados, código e artigos vivos com revisão via crowdsourcing.
- Arbitragem assistida por IA para checagem de lógica (recebida com ceticismo quanto ao treinamento em literatura fraudulenta).
- Repensar se ainda precisamos de periódicos tradicionais numa era de custo de publicação próximo de zero.