PG&E afirma não haver conexão entre aumentos tarifários e salto de US$ 2,2 bilhões nos lucros

A afirmação da PG&E de que o salto de US$ 2,2 bilhões nos lucros de 2023 não tem relação com os aumentos tarifários recentes está sendo duramente questionada por californianos que enfrentam alguns dos preços de eletricidade mais altos dos EUA. Comentadores destacam como o status da PG&E como monopólio regulado e de propriedade de investidores — combinado com influência política, reguladores fracos ou capturados e passivos caros de incêndios florestais — cria incentivos perversos para aumentar gastos de capital e lucros enquanto se subinveste em segurança e manutenção básica. Muitos defendem a propriedade pública ou municipal da rede, apontando tarifas mais baixas em concessionárias públicas e questionando por que uma infraestrutura essencial é operada para lucro em primeiro lugar.

Lucros vs. Aumentos Tarifários

  • Vários comentadores observam que a empresa está tecnicamente certa ao dizer que um aumento de tarifa em 1º de jan. de 2024 não pode afetar os lucros de 2023, mas argumentam que essa formulação esconde o fato de que os lucros estão estruturalmente ligados às tarifas.
  • Outros apontam aumentos tarifários recentes em 2022–2023 e veem uma conexão clara entre esses reajustes e o lucro de US$ 2,2 bilhões.
  • Alguns argumentam que, se os lucros de 2023 são fortes, a justificativa da PG&E de que ela “precisava” de aumentos em 2024 por causa de perdas parece suspeita.

Monopólio, Regulação e Influência Política

  • A PG&E é descrita como um monopólio regulado de propriedade de investidores; tarifas e orçamentos são definidos por processos de “General Rate Case” da CPUC.
  • Uma visão: a PG&E tem pouquíssima autonomia; a CPUC micromaneja os gastos, e os governadores nomeiam os comissários da CPUC, então o estado efetivamente possui o resultado enquanto culpa a PG&E.
  • Outros enfatizam o lobby e as doações políticas da PG&E, vendo captura regulatória e proteção bipartidária em vez de fiscalização rigorosa.

Propriedade Pública vs. Privada

  • Muitos argumentam que a distribuição de energia é um monopólio natural e deveria ser de propriedade pública ou, no mínimo, operada a custo, citando concessionárias municipais mais baratas (por exemplo, SMUD, LADWP) como evidência.
  • Contra-argumentos: a nacionalização exigiria que os contribuintes fornecessem capital, poderia reduzir a responsabilização e, então, os políticos levariam a culpa por falhas.
  • O esforço de San Francisco para usar domínio eminente e criar um sistema municipal é citado como caso de teste.

Contas dos Clientes e Estrutura de Preços

  • Numerosos relatos de contas muito altas (por exemplo, cerca de US$ 200/mês para pequenos apartamentos; tarifas de pico em torno de 70¢/kWh) e cobranças de distribuição muito superiores às cobranças de geração.
  • Comparações com outras regiões (Seattle, Alemanha, Índia, concessionárias públicas em WA) destacam tarifas muito mais altas da PG&E.
  • Os altos preços da eletricidade tornam o carregamento de EVs às vezes comparável ou mais caro que a gasolina, enfraquecendo os incentivos à eletrificação.

Segurança, Incêndios Florestais e Má Conduta Passada

  • Os comentadores resumem longas histórias de poluição, explosões de gás, ignição de incêndios florestais e alegada desvio de verbas de segurança para compensação de executivos.
  • Há preocupação de que decisões regulatórias (por exemplo, aterramento de linhas em vez de correções baratas de manutenção) maximizem gastos de capital e retornos para investidores em vez de segurança.

Críticas Sistêmicas Mais Amplas

  • A discussão se amplia para críticas ao “lucro a qualquer custo”, ao dever fiduciário e ao capitalismo de fim de fase, argumentando que o poder corporativo concentrado, somado à regulação fraca, leva à exploração e ao subinvestimento em segurança.