“VPNs são ferramentas técnicas legais”, diz Tribunal da UE em decisão histórica sobre direitos autorais

Uma decisão recente do Tribunal de Justiça da UE concluiu que VPNs são “ferramentas técnicas legais” no contexto de direitos autorais, entendendo que um editor que faz geobloqueio de conteúdo não é responsável se os usuários contornarem esses bloqueios com software de circumvenção. Comentadores veem isso como um limite importante às tentativas de exportar as restrições de direitos autorais ou de conteúdo de um país para outros, contrastando com o aumento de medidas na Europa e em outros lugares para ordenar bloqueios no nível de ISPs, impor verificação de idade ou, de outra forma, apertar o controle sobre o acesso à internet. O caso, desencadeado por uma disputa de direitos autorais sobre o diário de Anne Frank, também reacende argumentos mais amplos sobre prazos excessivos de direitos autorais, aplicação transfronteiriça e a tensão entre proteger os detentores de direitos e preservar uma web aberta.

Âmbito da Decisão

  • Comentadores enfatizam que a decisão trata de direitos autorais e bloqueio geográfico, não diretamente de censura, vigilância ou proibições gerais de VPN.
  • O ponto jurídico central discutido: se um editor realmente bloqueia usuários em um país, ele não é პასუხისმგável quando esses usuários contornam o bloqueio via VPN.

Bloqueio Geográfico, VPNs e Responsabilidade

  • O texto do tribunal da UE enquadra as VPNs como “ferramentas técnicas legais” que os usuários podem usar legitimamente; provedores de VPN não são automaticamente considerados como “comunicando” obras protegidas por direitos autorais.
  • Vários apontam uma ressalva importante: isso só vale se as VPNs em si forem legais e meramente ferramentas técnicas.
  • O tribunal holandês ainda precisa decidir se o bloqueio geográfico do site foi “de ponta e eficaz”; alguns temem que isso incentive bloqueios agressivos de VPN e medidas invasivas.

Reguladores Bloqueando Sites

  • Uma discussão paralela gira em torno de reguladores franceses ordenando que ISPs bloqueiem um site de previsão/apostas depois que ele se recusou a geobloquear a França.
  • Críticos veem isso como censura sem revisão judicial adequada e o comparam a uma versão rudimentar da firewall da China.
  • Outros argumentam que é uma aplicação normal da lei em uma democracia: reguladores existem para fazer cumprir regras de apostas e publicidade, e bloqueios semelhantes por ISPs acontecem nos EUA e na Alemanha (às vezes até por meio de entidades privadas de direitos autorais).

Censura, Governança e a UE

  • Alguns veem a UE como cada vez mais excessiva no controle da internet (VPNs, chats privados, bloqueios de sites).
  • Outros contrapõem que os tribunais apenas aplicam o que os legisladores aprovam, e a revisão judicial só pode derrubar leis que entrem em conflito com normas superiores da UE.

Prazo de Direitos Autorais e a Disputa Anne Frank

  • Muitos acham perverso que uma fundação ligada a uma vítima do Holocausto esteja estendendo e aplicando agressivamente os direitos autorais, inclusive além-fronteiras.
  • Longo debate sobre se prazos de direitos autorais muito longos (por exemplo, até 2037 e além) são justificáveis:
    • Um lado: direitos autorais póstumos e estendidos enriquecem principalmente espólios e corporações; direitos autorais são uma forma de censura e deveriam ser estritamente limitados no tempo.
    • O outro lado: royalties podem legitimamente sustentar descendentes, instituições de caridade e investidores; criadores merecem controle de longo prazo se as obras continuarem comercialmente valiosas.

VPNs, Verificação de Idade e Futuras Batalhas

  • Alguns esperam que a decisão ajude a defender VPNs contra campanhas de verificação de idade e de “proteger as crianças”.
  • Outros alertam que as leis podem ser alteradas: os tribunais continuarão a manter quaisquer novas restrições que sejam promulgadas, e futuros ataques podem mirar diretamente os provedores de VPN em vez dos usuários.