Para Onde Foram Todos os Websites?

Sites pessoais e pequenos blogs independentes são vistos como cada vez mais abafados por spam de SEO movido a anúncios, plataformas corporativas e feeds algorítmicos, fazendo a web aberta parecer mais estreita e menos descoberta do que nos anos 1990–2000. Os comentaristas atribuem isso à centralização (redes sociais, lojas de apps, vídeos no estilo TikTok), às mudanças no comportamento dos usuários (preferência por rolagem passiva e vídeo em vez de texto) e a mecanismos de busca que favorecem conteúdo comercial, mas observam que muitos sites de nicho ainda existem e podem ser encontrados por ferramentas alternativas como Marginalia, o “Small Web” do Kagi, wiby.me ou blogs de links curados. Alguns ainda têm esperança de um renascimento de espaços descentralizados e movidos por hobbies — por meio de sites pessoais, RSS, o fediverse e protocolos como Gemini — enquanto outros se resignam a um futuro dominado por jardins murados e conteúdo moldado por IA.

Por que os “websites” parecem ter desaparecido

  • Muitos argumentam que os sites não sumiram; quem sumiu foram os usuários. Adultos com pouco tempo passam a usar feeds sem atrito em vez de “surfar” pela web.
  • Outros contrapõem que as pessoas claramente têm tempo (horas em apps sociais); a verdadeira mudança é a preferência por rolagem de baixo esforço em vez de exploração ativa.
  • Para alguns, a web parece “encolhida” e monótona, como um ecossistema em que a variedade existe, mas é mais difícil de encontrar por acaso.

Centralização, plataformas e incentivos

  • Redes sociais, lojas de apps e algumas grandes plataformas absorveram o tráfego que antes ia para sites independentes, fóruns e blogs.
  • Plataformas hospedadas são mais fáceis do que manter seu próprio site, então os criadores seguem a audiência.
  • Incentivos corporativos (receita de anúncios, controle de dados, “engajamento”) impulsionam jardins murados e feeds algorítmicos, ecoando antigas cercas no estilo AOL.

Busca, descoberta e spam de SEO

  • Muitos dizem que sites pessoais interessantes ainda existem, mas estão soterrados por lixo otimizado para SEO e cheio de afiliados nos principais mecanismos de busca.
  • Há entusiasmo por buscas e diretórios alternativos (índices da small web, listas curadas de blogs, recursos de “página aleatória”) como ferramentas modernas no estilo StumbleUpon.
  • A classificação baseada em popularidade é culpada pela concentração extrema de tráfego em alguns poucos domínios.

Anúncios, paywalls e experiência do usuário

  • Sites de receitas/guias e notícias são criticados por anúncios intrusivos, rastreadores, pop-ups e layouts inchados, especialmente no celular.
  • Alguns usuários dependem de bloqueadores, modo leitor ou impressão para escapar da bagunça; outros não gostam de precisar de “merda para bloquear merda”.
  • Os paywalls são vistos como compreensíveis, mas reduzem ainda mais a descoberta e a leitura casual.

Formatos e comportamento do usuário (vídeo vs texto, apps vs web)

  • Vários comentaristas acham que usuários mais jovens recorrem por padrão a vídeos curtos e feeds de apps, em vez de ler páginas longas da web.
  • Outros observam que as pessoas sempre leram menos do que o ideal; o que mudou foi para onde a atenção vai (TikTok, Instagram etc.).
  • O celular e os apps nativos são vistos como mais convenientes do que digitar URLs ou gerenciar favoritos.

Anonimato, comunidades e moderação

  • Há nostalgia por fóruns pseudônimos e brincalhões e por sites pessoais; muitos sentem que a cultura atual, orientada por nome real e monetização, é tímida e voltada à autopromoção.
  • Outros observam que espaços anônimos abertos muitas vezes degeneram em spam, abuso e conteúdo extremista, exigindo moderação pesada ou fechamento.
  • Grupos privados, só por convite, e fóruns de nicho são descritos como bolsões remanescentes do clima social da “velha web”.

Nostalgia, web aberta e futuros

  • Alguns argumentam que a web é “corporativa e movida a anúncios agora”, mas ainda contém enormes números de sites independentes; a descoberta e a cultura mudaram mais do que a quantidade absoluta.
  • Remédios propostos incluem: protocolos descentralizados melhores (ActivityPub, Gemini), pequenos diretórios curados, RSS, blogs de links e mais sites pessoais.
  • Os pessimistas preveem maior consolidação e ruído gerado por IA; os otimistas esperam que ferramentas de nicho e a nostalgia da “small web” mantenham vivo um ecossistema alternativo.