Spotify chama o plano de conformidade da Apple com a DMA de "extorsão" e "uma farsa completa e total"

O plano da Apple para cumprir a Digital Markets Act da UE foi duramente criticado por, na prática, preservar seu controle sobre a distribuição de apps no iOS por meio de notarização obrigatória e de uma nova “Core Technology Fee” por instalação, mesmo para apps distribuídos por lojas alternativas. Comentadores debatem se a Spotify é uma crítica credível, dado o tratamento que dá aos artistas, mas em geral enquadram a disputa como uma luta por poder entre plataformas dominantes, reguladores e pequenas empresas que dependem de acesso a ecossistemas móveis. Muitos veem a abordagem da Apple como um “rule lawyering” legalista que pode provocar nova ação da UE, ao mesmo tempo que reacende debates mais amplos sobre jardins murados, liberdade do usuário e divisão justa de receitas nos mercados digitais.

Spotify, compensação de artistas e debate sobre hipocrisia

  • Alguns argumentam que a Spotify é uma má mensageira porque “paga aos artistas quase nada”, com a maior parte dos pagamentos indo para as gravadoras, não para os artistas.
  • Outros respondem que a Spotify repassa cerca de 70% da receita aos detentores dos direitos e oferece acordos diretos a artistas independentes; a culpa é atribuída às gravadoras e à relutância dos consumidores em pagar.
  • Longo subthread sobre se o streaming tornou mais difícil ou mais fácil para artistas pequenos e de médio porte ganharem a vida:
    • Um lado: muito mais fácil publicar e alcançar públicos globais de nicho; a indústria antiga era fortemente controlada por porteiros.
    • O outro lado: turnês são mais caras, há menos casas de shows, e a economia do streaming (por exemplo, precisar de ~10M de streams por álbum para uma renda modesta) empurra muitos músicos de volta para empregos convencionais.

Resposta da Apple à DMA e a Core Technology Fee

  • O novo modelo da Apple na UE substitui/complementa o corte de 30% com uma “Core Technology Fee” de €0,50 por “primeira instalação anual” após 1M de instalações por app. Atualizações contam como instalações, mas não geram novas cobranças para o mesmo usuário no mesmo ano.
  • Alguns veem isso como extorsivo e desenhado para tornar lojas alternativas economicamente pouco atraentes; outros observam que 30% é semelhante à Steam e pode refletir um preço de plataforma de “mercado justo”.
  • Surgem preocupações com “install bombing”; a documentação da Apple diz que ela limitará instalações por dispositivo e investigará abusos.

Sideloading, notarização e controle

  • O “sideloading” no plano da Apple ainda exige notarização da Apple e contas de desenvolvedor, preservando a Apple como porteira.
  • Críticos dizem que isso enfraquece a intenção da DMA e pode violar cláusulas antievasão ao tornar alternativas “indevidamente difíceis”.
  • Defensores citam a linguagem da DMA que permite medidas de segurança “estritamente necessárias e proporcionais”, alegando que a notarização se enquadra nisso.

Jardins murados vs abertura / escolha do usuário

  • Um grupo favorece o ecossistema controlado da Apple por ser mais seguro e mais fácil para usuários não técnicos, vendo as exigências por abertura como uma “tirania da minoria”.
  • Os opositores enfatizam a posse do dispositivo e o direito de instalar qualquer software sem a busca de renda de aluguel ou o controle moral da Apple.
  • Faz-se uma analogia mais ampla com consoles, TVs e sistemas automotivos; há desacordo sobre se jardins murados deveriam, na prática, ser regulamentados até deixarem de existir.

Regulação, capitalismo e poder

  • Muitos enquadram isso como grandes corporações “porteiras” contra cidadãos e empresas menores que “precisam” de acesso às plataformas dominantes.
  • Alguns veem o comportamento da Apple como um resultado natural do capitalismo; outros argumentam que as regras atuais permitem extração de renda monopolista prejudicial e pedem uma intervenção mais forte ao estilo da UE.