Desenvolvedores se revoltam com as novas regras da App Store da Apple
A tentativa da Apple de cumprir a Lei de Mercados Digitais da UE enquanto preserva sua App Store rigidamente controlada e a taxa de 30% sobre a receita reacendeu a indignação entre desenvolvedores e reguladores. Comentadores debatem se a Apple está abusando do poder de gatekeeper sobre os proprietários de iPhone e apps de terceiros ou simplesmente exercendo controle legítimo sobre uma plataforma que criou, com pontos de tensão incluindo taxas por instalação, proibições a links de pagamento alternativos e o aparente enfraquecimento de web apps na UE. Por trás disso estão argumentos mais profundos sobre direitos de propriedade, segurança do usuário e se dispositivos críticos e de propósito geral, como smartphones, deveriam funcionar mais como computadores abertos ou como consoles de jogos bloqueados.
A “conformidade” da Apple com a DMA e as novas taxas
- Muitos veem as mudanças da Apple na UE como “conformidade maliciosa”: preservar a busca por rendas enquanto, tecnicamente, cumpre as regras da DMA.
- As taxas da loja por instalação/por usuário e as APIs obrigatoriamente controladas pela Apple são vistas como anticompetitivas e provavelmente sujeitas a fiscalização.
- Outros argumentam que os reguladores redigiram uma lei vaga (palavras como “justo” e “razoável”), então disputas de interpretação eram inevitáveis e a Apple está, de forma racional, testando os limites.
Letra vs. espírito da lei
- Alguns argumentam que os reguladores da UE se importam mais com o “espírito” do que com o literalismo ao estilo dos EUA e punirão artifícios jurídicos.
- Outros contrapõem que o direito administrativo da UE é, na verdade, muito centrado no texto; qualquer correção virá dos amplos poderes de fiscalização da Comissão, não de impressões subjetivas.
- Há debate sobre se a DMA deveria ter sido mais explícita (por exemplo, como as regras do USB-C) ou se devemos aceitar que leis não podem enumerar todos os casos.
Monopólio, controle de acesso e quem “possui” o cliente
- Um lado: os usuários de iOS são, principalmente, “clientes da Apple”; o acesso a eles é um privilégio, então a Apple pode cobrar o que o mercado suportar.
- Os opositores dizem que os usuários também têm relações diretas com apps (Netflix, Spotify etc.), e que a Apple atua como guardiã/retentora de reféns, e não como uma proprietária neutra.
- Vários observam que o antitruste não trata apenas de tamanho, mas do abuso do poder de gatekeeper mesmo sem uma fatia clássica de monopólio.
Segurança, sideloading e proteção do usuário
- Os defensores da Apple enfatizam os danos reais de malware Android instalado por sideloading e querem preservar o “jardim murado”, especialmente para usuários não técnicos.
- Os críticos respondem que preocupações de segurança estão sendo usadas para justificar o bloqueio de lojas concorrentes e sistemas de pagamento; a revisão de apps já deixou passar apps ruins.
- Alguns sugerem que usuários avançados poderiam optar por habilitar sideloading sem mudar os padrões para todos os outros.
PWAs, navegadores e abertura da web
- A remoção/limitação de PWAs nas versões beta da UE é vista por muitos como uma ação intencional para enfraquecer a competição de web apps uma vez que motores de navegador alternativos sejam अनुमतिidos.
- Outros acham que pode ser uma implementação incompleta sob pressão de prazo, embora o ceticismo seja alto dada a história da Apple.
Economia do desenvolvedor e a taxa de 30%
- As reclamações se concentram em uma porcentagem fixa sobre a receita, em vez do lucro, o que esmaga negócios de baixa margem e conteúdos com altos custos de licenciamento/servidor.
- Os defensores dizem que os desenvolvedores entram voluntariamente em um ecossistema lucrativo e podem ir para outro lugar (Android, web) se o acordo for ruim.
- Há debate sobre se comissões menores algum dia chegariam aos usuários na forma de preços mais baixos.
Propriedade do dispositivo e direitos de propriedade
- Vários argumentam que a cadeia de boot bloqueada da Apple viola direitos básicos de propriedade: os compradores não podem exercer o “direito de excluir” o software da Apple nem executar o seu próprio.
- Outros respondem que o software é licenciado, não vendido; enquanto o iOS for essencial para o dispositivo, a Apple manterá controle poderoso.
Remédios propostos e desfechos
- Ideias levantadas: fiscalização mais forte da DMA, ações antitruste, separação mandatória entre loja, APIs e pagamentos, projetos de código aberto ou “compatíveis com iPhone”, ou até forçar a Apple a permitir sistemas operacionais alternativos.
- Alguns acham que a Apple está deliberadamente protelando para extrair mais alguns anos de rendas atuais, esperando concessões parciais no futuro, mas sem mudança existencial.